07/11/2010

Soneto da melancolia


Olhar cada amanhecer da mesma forma, sem cor,
daquela que meu coração não gostaria de sentir,
lateja dentro da alma,continuamente, uma cortante dor
que amanhece junto com o dia e não me permite fugir.

Em forma de prece agradeço toda bênçao recebida,
sentimento de culpa que aflora por não sentir assim.
Que dualidade ingrata é essa que persiste ressentida
se que o mais desejo é que tudo isso tenha fim?

Diviso o passado com consciência de toda a trajetória,
onde o sofrimento era maior por não ter a sabedoria
que cada ser tem construída a sua própria história

e que sequelas do pretérito mais longíquo fazem moradia.
O Criador em sua bondade dá para o consolo da depressão
o dom da poesia que faz se esvair as feridas da emoção.

Ana Maria Pupato


24/10/2010

Somente a lua e as estrelas




O mar trazia em suas ondas sussurrantes
uma canção de amor em nossa homenagem,
com notas maviosas, solenes e vibrantes,
selando uma união que faz da vida uma viagem.

Instante sereno e acolhedor de tuas mãos
enlaçando meu corpo em um doce abraço.
Seus lábios procurando nos meus os desvãos
das promessas urdidas em infinito laço.

Ser somente tua nessa caminhada confortadora
e extirpar do porão da alma o medo e a insegurança.
Viver a grandiosidade dessa emoção avassaladora.

Ter somente a lua e as estrelas como aliança,
refulgindo em nossos olhos como guia e esperança
de uma paixão que sempre será arrebatadora.

Ana Maria Pupato






09/10/2010

Sobre cartas e corações


Num café, à meia noite, aos sons de uma música.
Cartas abandonadas.
Como corações abandonados
Que se encontram como algumas  cartas no chão.
Bastará apenas um pouco de sorte!
Para que as cartas se juntem, formando sequências.
Conjuntos iguais
De naipes iguais
Vermelhos... pretos...
Porém, sempre juntas!
E os corações? Eles, também...?

Glória Castrioto

08/10/2010

Muito além dos sonhos






Ver no olhar de qualquer criança
a esperança de um futuro promissor.
Ver no olhar de qualquer adulto
a criança que não desistiu de sonhar.



Ver o dia amanhecer
em celebração com a natureza,
seres integrados em harmonia,
preservando o bem maior: vida.



Ver o respeito em cada gesto,
a ética por filosofia,
a individualidade valorizada,
o amor sem medida e fronteira.


Muito além dos sonhos sonhados
da realidade desejada
a vida em plena abundância
e perpetuada pela eternidade.




Ana Maria Pupato