11/07/2016

Saudade

Saudade

Aves de verão
são como os amores
que vêm e vão...
No choro da saudade
forma-se o oceano 
de vivências que não se apagam
com a idade.

Vidas silenciosas
que trazem lembranças
de momentos inesquecíveis.
Ah, mar de lembranças
que quebra em ondas
no cais do pensamento...

Ana Maria Pupato - 2013



10/07/2016

Eu flor

O sol é o calor da vida...
Deixar a lua de poeta
para ser uma flor
que desabrocha no dia.

Ana Maria Pupato - 2013




09/07/2016

Busca do templo etérico de Rowena

Há uma corrente de energia 
Energia que pulsa e flui
Passos em busca de caminho contínuo 
Há uma energia que pulsa e flui

Carmem Teresa Elias





Ana Maria Pupato com a orientação inspirada de Germano Reis - 2013


Barco ancorado - 1996


Jesus - 1996

Os olhos revelam quem sou 
Se escondido for o rosto 
Mais ainda essa verdade dirá quem sou

Carmem Teresa Elias






Ana Maria Pupato


27/06/2016

Descanse em paz, velho Chico...

Descanse em paz, velho Chico...

É, Chico, pois é,
gostava de te ver entre a gente,
debaixo daquele sol quente,
quietinho, calado,
só observando...

É, Chico, pois é,
te achava tão de juízo,
daqueles que têm dente siso
- que até li seus livros! -
que não se junta com falastrão.

É, Chico, pois é,
apertei tua mão,
falei de você prum montão,
fiquei triste e chateada
quando você não ganhou.

É, Chico, pois é,
te achei homem de brio
quando largou aquele bando 
de filho da malquerença e da inveja
e teve coragem de caminhar sozinho.

É, Chico, pois é,
você mudou tanto
que não te reconheço.
Juntou-se aos falastrões,
que prefiro guardar tua história
como uma lenda.

Ana Maria Pupato - 2016


22/06/2016

Deixe-me caminhar contigo?

Ele estava tão encantando 
com a beleza da moça,
que passava pela sua rua,
que parecia ver duas.

Um dia, animou-se de coragem,
fez o que o instinto lhe indicou,
quando ela se avizinhava na rua
postou-se como quem quer indagar.

- Vejo-te passar todos os dias, 
bela e faceira deixando um rastro de alegria,
queria saber teu nome, 
senhora dos meus olhos!

- Não sei se devo dizer, 
pois não nos conhecemos direito.
- Não há o que temer!
Moro aqui e sou um homem de bem.

Sem quase poder findar a frase,
amigos lhe chamam para a farra costumeira.
Ela aproveita a distração 
e vai-se como folha soprada pelo vento.

Ao alvorecer, chega em casa 
e lembra-se de que deixou a moça fugir
como água por entre os dedos,
- ah, como resistir aos folguedos da juventude?.

À tardinha, vem ela no seu costumeiro passo,
exalando o perfume de lavanda,
que fazia inveja às mais lindas flores,
guardando seu segredo de mulher.

Novamente, ele a interpela e insiste saber seu nome;
mas, como da primeira vez, ela diz
que não pode revelar,
porque ele parece volátil aos prazeres.

Nesse momento, ele segura em suas mãos,
olha profundamente em seus olhos,
beija-lhe o dorso das duas mãos,
dizendo que estava pronto para ser seu guardião.

Os amigos aparecem, nesse momento,
convidando-lhe para um fim de noite prazeroso.
Ele olha para ela com o olhar cintilante
e diz para os amigos que não se interessa.

Ela lhe oferta um sorriso cúmplice
de quem aceita, mas não se revela totalmente.
Ele sabe que a conquista terá que ser plena,
apaixonar-se todo dia pela mesma mulher!

Ana Maria Pupato - 2016
Baseado na lenda afro-americana Manawee.